Em artigo sobre estrutura urbana, mobilidade e propagação da covid-19, pesquisadores alertam que os meios de transportes e a organização urbana fizeram as cidades brasileiras espraiadas e excludentes, e que esta realidade exige visão diferenciada. E como não é possível alterar no curto prazo a estrutura urbana, parte importante no combate ao vírus deve se dar no escopo da mobilidade, com destaque na rede de transporte público.
No artigo, os professores Romulo Orrico, da Coppe/UFRJ, e Guilherme Leiva, do Cefet-MG, avaliam que a propagação da Covid-19 tem se dado de forma distinta entre cidades e países. O isolamento social e mudanças de hábitos tendem a ser determinantes na contenção do vírus. Contudo, ações similares têm apresentado resultados diferentes. Los Angeles adotou com sucesso o distanciamento social. Mas é uma cidade espraiada, com alto uso de automóvel e poucas praças de convívio intersocial, ou seja, já havia um certo distanciamento. Em New York, uma cidade compacta e de convívio social no transporte coletivo e em ambientes públicos, essa medida foi insuficiente.
Os professores chamam atenção que há um agravante, no Brasil, e no Rio de Janeiro em especial, onde os serviços dependem das tarifas e os operadores alegam dificuldade em garantir oferta adequada à necessária baixa ocupação. Além disso, a falta de dados operacionais confiáveis e de informações detalhadas da demanda, dificultam avaliar o problema; e a própria Covid-19 atinge trabalhadores do setor, que estão expostos e sem a proteção plena que essa doença exige.
Confira o artigo publicado hoje no Globo Online: https://glo.bo/2BeoWQR
Confira o artigo também no Planeta Coppe Notícias: https://bit.ly/2M6gzZB