Crescimento econômico deverá ser maior se conseguirmos limitar o aquecimento global

Já há conhecimento suficiente sobre a participação humana no aquecimento global, assim como já se sabe que as mudanças climáticas podem ocasionar danos irreversíveis às espécies e aos ecossistemas, reduzindo sua capacidade de fornecer bens e serviços à sociedade. O recente relatório especial do IPCC que analisa os impactos do aquecimento global de 1,5oC acima dos níveis pré-industriais e as possíveis trajetórias das emissões de gases de efeito estufa mundiais, fornece elementos que deveriam estimular o aumento do nível de ambição dos compromissos nacionais contidos no Acordo de Paris.  As reduções das emissões propostas no Acordo não são suficientes para manter a integridade climática, pois o aumento de temperatura seria superior a 30C. Tanto que já está previsto para 2020 uma nova rodada para que os países apresentem novas propostas de redução de suas emissões.

Para ficarmos no limite de 1,5oC, o investimento em tecnologias de baixo carbono deverá ser o dobro do que é atualmente e nas próximas duas décadas a exploração de combustíveis fósseis deverá ser um quarto da atual.  O aumento da temperatura ficando neste limite, reduzirá o impacto sobre a biodiversidade, que é essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento das espécies e a provisão de inúmeros serviços ecossistêmicos necessários para nossa existência, como água e alimentos. Os benefícios em termos de custos de adaptação serão enormes.  Quanto maior for o nível de redução das emissões, ou seja, mitigação, menor será a necessidade de adaptação. Teremos que usar, de qualquer forma, as duas estratégias, porém o custo de mitigação é inferior ao da adaptação.

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